Reconhecida sinóloga com vários trabalhos consagrados sobre a tradição chinesa, em especial a "meditação taoísta".
ROBINET, Isabelle. Lao Zi et le Tao. Paris: Bayard éd, 1996
O taoísmo é a única grande religião de origem chinesa. Faz parte dos "três ensinamentos" da China, junto com o confucionismo e o budismo. Mas enquanto estes dois últimos estão centrados em uma grande figura fundadora que fornece uma data de emergência, é praticamente impossível atribuir uma ao taoísmo. Este formou-se pouco a pouco em uma lenta gestação que foi uma integração progressiva de diferentes correntes extraídas do fundo antigo da China. Depois, elaborou-se ao longo dos séculos sem nunca se desligar de seu passado complexo, mas integrando e desenvolvendo até os dias de hoje ainda elementos novos. É assim o mais precioso depositário de um passado cultural que permaneceu constantemente vivo e que, devido à sua natureza em parte marginal, soube preservar mesmo quando esse passado era rejeitado pelas doutrinas oficiais.
O Daode jing atribuído a Laozi beneficiou-se de mais de duzentas traduções em línguas ocidentais. O Yi jing, ou "Livro das mutações", que oficialmente é um clássico confucionista, mas do qual se reconhece que reflete pelo menos em parte o espírito do taoísmo e sobre o qual os taoístas de todos os tempos se apoiaram fortemente, também foi traduzido em todas as línguas e suscita grande interesse, por vezes desmedido, entre os ocidentais. A pensamento taoísta, de fato, aproxima-se dos gregos em certos pontos, sobretudo dos pré-socráticos, assim como dos grandes místicos, mas também, e de maneira impressionante, dos filósofos modernos, como se verá, por seu pluralismo (vários mundos possíveis em tempos diferentes e lugares diferentes), seu uni-dualismo, ao mesmo tempo monismo e dualismo, por sua circularidade, e por sua abertura, pela forma como integra o que corresponde ao que nossos modernos físicos, filósofos e semanticistas chamam de "caos", ou "ruído", a saber, aquilo que não se enquadra na ordem conhecida, como o aleatório, o que exclui absolutamente qualquer possibilidade de fanatismo. A voga atual das artes marciais e das técnicas corporais como o Taiji quan ou o Qigong é um fator a mais para reforçar o interesse que o Ocidente dedica ao taoísmo.
O próprio termo taoísmo a princípio correspondia apenas a uma classificação de bibliógrafos onde se incluíam obras atribuídas a Laozi, a Zhuangzi e ao mítico "imperador amarelo" Huangdi. O antigo fundo xamânico da China que não era estranho a Zhuangzi, técnicas fisiológicas, meio exorcistas, meio médicas, inclusive mágicas, datando da mesma época aproximadamente, aí se misturaram. Especulações cosmológicas, ligadas em parte às práticas divinatórias remontando à origem da história da China, também foram incorporadas e forneceram a trama sobre a qual repousa a visão de mundo taoísta.
Com o tempo, sínteses se fizeram entre as diversas tendências para formar um todo harmonioso. Mas o taoísmo sempre permaneceu suficientemente vivo para evoluir constantemente em múltiplas facetas, enriquecer-se sem cessar com aluviões sempre renovados. Através das forças que assim o atravessaram, no entanto, sempre soube construir e manter sua identidade. Mas nunca houve sistematização nem dogma central. Unidade complexa e evolutiva, nunca tomou a forma de uma religião unificada e constitui de certa forma um florescimento de práticas, associadas no entanto por um espírito que lhe é próprio.
O ritual, com suas numerosas variantes, desempenha um papel muito importante nesta religião. Visa essencialmente estabelecer uma comunicação com as potências divinas. No centro da área sagrada construída como um microcosmo, assistido por aqueles espíritos sobre os quais sua ordenação lhe deu um poder, o sacerdote transforma seu corpo em corpo cósmico e sobe ao Céu "em audiência" para apresentar uma petição. Esta transformação e esta ascensão operam-se por sua meditação que, em mais de um aspecto, assemelha-se à dos adeptos taoístas em seus oratórios, a tal ponto que numerosos textos, práticas e cantos destinados a esses meditantes foram incorporados no ritual.
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